E o mundo era um boneco de neve derretido, e a ela restara a pequena alegria forçada de que pelo menos, a àgua no chão não havia se evaporado por aquele sol quente que agora matava seus sonhos!



Postado por: Renata Lôbo às 21h34
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Boneca de Plástico...



Boneca de plástico com olhos de vidro, vazios como o infinito, à espera de um milagre. Sangue por todo lado. Abraços forçados, sorrisos falsos. Boneca de plástico de corpo esquelético no palco improvisado de uma vida perdida. Educação fingida, concursos de beleza, a número um! Olhos pintados de rosa, boca desenhada, felicidade invejada.
O mundo que podia ser criado. Sentimentos que a tornavam melhor. Onde dizer o que era real ou ilusão? Por alguns segundos se perdia abrindo asas inventadas e saltando sem medo algum para o abismo secreto escondido dentro dela. Olhava para trás mantendo lágrimas escondidas de si mesma. Toda uma história de desejos renunciados. Talvez quando crescesse sozinha na escuridão que amedronta heróis gregos, talvez todas as suas lembranças se tornassem pequenas salvações. Dizendo que está tudo bem, persegue estrelas mortas para aquecer um pedaço de paz de quando estava nas asas de um anjo, reconforto seguro. E o relógio no pulso marcava o tempo que não voltava mais, e apesar de saber disso, dizia sempre inocente, "Temos tempo!", mais para si do que para qualquer outra pessoa, "Mantenha sua alma à salvo, guarde bem suas palavras e seus nós de marinheiro. Em algum momento a vida irá cobrar por seus erros e nunca entenderão que suas falhas eram apenas por medo de laços profundos e dores insuportáveis. Dizer adeus às vezes pode machucar pra sempre." Diferente do que dizem não há salvação amigo triste, o mundo anda morrendo de solidão, consciência adormecida... 
Era frio aqueles dias e uma segunda chance era o que todos desejavam. Acreditasse que amor não morre. Que saudade se apaga. Que olhos se esquece. Asas de anjo partido humanamente. Reconforto esquecido.
Flores de plástico sem perfume e sem cor. Ah, se soubessem que seus lábios machucavam, alma de carne e sangue. Era uma sonhadora e vivia em países imaginários e castelos acorrentados ao céu, embalando em sacos plásticos seus sentimentos para melhor conservar na geladeira que era seu espírito atormentado por dores imaginárias e cortes sem cicatrizes.
Em seu mundo o amor machucava. Caminhos opostos e cruzados marcavam sua vida. Uma noite longa se anunciava palidamente e seus olhos já vermelhos e cansados quase se recusavam a permanecerem abertos.Quase! E com medo aguardava o abismo silencioso iluminado por estrelas, onde uma Lua infeliz pairava no céu. Sua amargura poderia ter consolo?
Ah, se a primavera dependesse dela... eternos invernos no reinado da boneca de plástico.


Postado por: Renata Lôbo às 21h44
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Porque essa máscara colorida nesse rosto pálido e sem cor??
Mantos de alegres mentiras sob o céu negro de um mundo despedaçado...
Porque não gritar se a dor era de verdade? Nessa noite de negras estrelas entrelaçadas... colisão violenta de sonhos... ninguém diria o que fazer, nem pra onde ir, ou o que levar... Como podia se perder se no caminho que escolhera não havia curvas?
Porque amargas melodias lhe convidavam desastradamente a aceitar propostas indecentes onde tudo que poderia perder era um pedaço de sua alma, um pouco de sua vida e quase todo seus coração?

Dizer seu nome me salvaria? ....



Postado por: Renata Lôbo às 23h29
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Esquecia-se desatradamente que ninguém é de ninguém...
Seu grito era seco, como o grito de quem não espera salvação. Raíz cortada pra sempre.
Superava sua dor e seu medo. Sentido já não havia há muito tempo, abrira mão de tudo isso... Se perguntava se permitiriam que sentisse tudo o que sentia... Se perguntava se lhe era permitido viver tudo o que poderia viver, tudo o que queria viver... Futuro era promessa doce... Mas que pena! Sempre quebrava suas promessas no ultimo instante, pois seu espírito se afugentava febril, renunciando a eternidade  que lhe ofereciam... Sentido mesmo não havia nenhum... Recusava-se a ter lógica... Atos perdidos, gentilezas esquecidas e insultos ignorados... Quis tanto, tanto, tanto acreditar no que sentia...

Quis tanto entregar seu coração, mas pensando - ou sentindo - bem, deveria renunciar a esse ato humano e mortal. Sem razão nenhuma. Tão complicado por ser tudo tão simples...
Eu te deixo me deixar pra sempre... E o coração reclamava cansado...
Prisão era a liberdade e liberdade era prisão. Vício doloroso.



Postado por: Renata Lôbo às 21h51
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Sentido decrescente


 

Ah, doces sinfonias reguladas ao ritmo do coração!
Ah, doces contravenções em compasso com a alma
em descompasso com o mundo.
Armaduras de papel plissadas ao calor do sangue.
Agudas hastes cravadas na carne feita de amor.
Pesadas ilusões do tamanho de estrelas morrendo de realidade...

Banalidades superficiais.
Caminhos densos
Sorte perdida, alma desprendida.
Passarela inacabada que nos levaria ao outro mundo onde
nos amaríamos sem receio e sem medo e sem tempo finito.
E presente não depende de passado,
E futuro é promessa doce...

(Meu coração acelerado. Canção de ninar. Seus braços, meu lar. Principe Encantado perdido encontra princesa solitária. - Maldições e Pactos. Dilacerações no canto negro de uma alma secreta...)
Sentido decrescente, o mundo gira, ramos me levam, me deixam, me esperam? Ah, esperassem... Quem dera...



Postado por: Renata Lôbo às 13h17
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Pequena história de Borboleta.




Esbravejava olhando para o céu enquanto perambulava como uma bêbada em seu caminho tortuoso ornamentado de pedras sem valor. "Olhei para o céu pálido-cinza e vi uma borboleta que não me viu, meus olhos ardiam de desejo, é que eu pedi que se aquela borboleta cheia de patas assustadoras e cores fascinantes me olhasse, ou simplesmente fingisse me ver, então algo aconteceria." E o sinal pelo qual tanto pedira não veio, embora a borboleta tenha voado em sua direção, batendo cegamente em seus óculos de lentes grossas, ainda assim não notara seus olhos. Não se desculpou nem nada, seguiu com suas asas amarelas para onde quer que fosse, sem nunca olhar para trás.



Postado por: Renata Lôbo às 21h53
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E então o pensamento flui.
Estou viva.
Ah, como dói viver!
Mas é dor e também prazer.
E de vez em quando cansa.
Cansa tanto...



Postado por: Renata Lôbo às 12h18
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E o que mais ela poderia dizer que já não tenha sido dito?
Lentamente sua alma foi se entristecendo. Estava de braços cruzados sentindo esse cansaço secular lhe abraçar calmamente e nada podia fazer. Aos poucos seu coração começava a doer uma dor sofrida e quase sem cura. Mas sabia que dali a alguns dias isso passaria. Bastava ter calma que a dor iria embora rindo-se dela. O problema era que enquanto isso estava sentindo que seu espírito, sua mente, seu coração e seu corpo todo estava ficando triste e cansado como se morresse lentamente.
Por mais que pedisse, por mais que implorasse e, acima de tudo, por mais que ela quisesse, ainda assim ninguém poderia salvá-la de si mesma. Ela era seu próprio demônio e também sua própria caça, e o mundo nada mais era que uma imensa floresta cheia de labirintos onde corria e se escondia de si mesma, inutilmente.
Nunca se dizia para enfrentar seus demônios. Se não enfrentava era porque sabia. Sabia dos seus eus e dos seus ninguéns
...

Postado por: Renata Lôbo às 11h55
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Ela era aquela que caminhava lado a lado às pessoas num invísivel de dor não sofrida. Era também aquela que sorria no meio de tempestades sem calmaria, amando o que não se podia amar, vendo e sendo quem não se podia querer, não por medo, mas porque assim, poderia de alguma forma estar onde não estaria. Mãe sagrada de todo mundo.
Onde o sagrado deus de olhos vendados sorria um sorriso terno de criança, amando seus filhos-monstrengos sem alma. Ela, Deusa da terra esquecida, perdida no meio dos seres, uma forasteira na terra de ninguém.



Postado por: Renata Lôbo às 11h33
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Mas é que ele olhando ela assim, tão pequena e frágil e vulnerável, imaginou que talvez sendo assim, ela não machucasse, e ignorando seus alertas, seus alarmes, aproximou-se a passos lentos sem notar suas garras de leoa ferida e seus afiados espinhos fincados no coração. Então perto dela, ele, um menino, um jovem, um homem, um senhor conhecedor do mundo inteiro, tornava-se um bebê dando seus primeiros passos no mundo largo e sombrio, levando tombos seguidos a joelhos ralados...
Mas é que ele também não conseguia resistir ao seu charme de menina perdida, sem notar que estava mais para demônio, perdição... Ele, sutil caça, vítima de seu jogo infantil, menina entediada. Não entendia que o perigo às vezes vem mascarado. Marcas se fixariam em sua pele dizendo que o tempo passava encarnado nas horas, ao seu lado, era um amador inexperiente e o mundo era um gosto viciante a descobertas.
E ela, que permitira que esse estranho aproximasse, já preparada a novos espinhos que abraçariam seu coração e levariam um pedaço de sua alma, olhou um pouco desajeitada esperando o golpe que lhe mataria uma vez mais e este não vindo, deixara-a ainda mais arisca por baixo de sua máscara dócil. Já até ensaiara aquele beijo de até nunca mais e, surpreendentemente - ou não, já conhecia até o gosto que ele teria. E a princesa em seus olhos desaparecia . Surgiria lentamente então, nuvens manchadas de um eterno cinza até que um novo sol as pudesse afastar para depois as deixarem mais cinzas ainda.
Como então que viver entre os sonhos de alguém pode ser perigoso?! Como amor é presente mais sincero poderoso e tolo?! Como então que lágrimas de chuva doem tanto quanto as lágrimas de sangue? Por que na escuridão da alma é onde o amor e os perigos nascem. A escuridão na alma. E o mundo era uma eterna faca de dois gumes.






Postado por: Renata Lôbo às 10h59
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Das ilusões...



- Então, o que acha? Dissera sentando na cama e olhando os olhos caramelos da garota à sua frente.
- Então o quê? Acho que você está confusa e me deixando confusa. Toda essa história é exagero. - estava distraída puxando as orelha de um coelho cinza que pegara ao acaso na prateleira. - As máscaras caem mais cedo ou mais tarde, é só saber esperar. - Surpreendera-se com a sua súbita falta de paciência.
- Eu sei. Mas queria que me dissesse algo além disso.
- O que você espera que eu diga? As verdades óbvias que já conhece?
- Não sei. Mas esperava encontrar uma lógica nisso tudo.
- Lógica? Você sabe com quem está falando certo? - riu-se desdenhosa. - Mais cedo ou mais tarde vão descobrir que há algo errado com você... Vão te colocar em um lugar pequeno e sozinha... - vendo o ar abatido da outra quase arrependera-se das palavras que sempre lhe ultrapassavam. - Desculpa. Mas, não é o óbvio?
- E o que você quer que eu faça? - controlava-se para não começar a chorar e gritar. Ela parecia tão madura apesar da idade, tão segura, e às vezes tão má. Mas se começasse a gritar, alguém entraria no quarto perguntando o que estava acontecendo. Controlara-se ao máximo.
- Por exemplo, poderia começar parando de me chamar. Faça uma nova amiga, compre uma roupa nova, escute música, se distraia. Talvez assim você consiga me esquecer... e nunca descubram sobre isso, e não te prendam... - 'verdades óbvias', pensou - Eu sei que parece impossivel agora... mas ajuda se eu disser que eu detesto esses nossos encontros? Que eu detesto ouvir os seus problemas bobos? E o seu quarto continua infantil.
- Eu sei! - dissera ofendida tirando das mãos da outra o coelho cinza de nariz engraçado. - Eu só queria que isso fosse tão fácil assim. E eu não acredito em quase nada do que você diz. - levantara-se colocando de volta o coelho na prateleira. Não olhando assim os olhos caramelos que sentira que lhe observavam.
- Se é assim, porque precisa de mim então? Eu não tenho certeza se prefiro que acredite em mim... Mas isso me ofende! Eu sempre fui sincera! De um certo modo, eu acho...
- Porque eu preciso de você?... - tinha um ar confuso e atrapalhado. - Acho que tenho medo de ficar sozinha...
- Não seja tão infantil! Adultos são sempre sozinhos! E você já não é mais criança! E mesmo se for verdade... não importa, né? Porque ainda não é uma desculpa que convenha. Pensa bem: metade do mundo nesses momento está sozinho e a outra metade está se sentindo sozinho. - aproximara-se dela encarando seus olhos caramelos como os seus e pegando em suas mãos ternamente, 'ela vai chorar' pensou com um certo desdém - Mas isso não é razão para se criar ilusões... Não é normal conversar com a sua metade infantil!
- Estamos saindo! - dissera sua mãe abrindo a porta num rompante, como sempre, sem bater antes. - você vai ficar bem sozinha?
- Sim - dissera meia aturdida, baixando as mãos discretamente.
- Tem certeza de que está tudo bem?
- Sim. Tudo bem. Podem ir. Aproveitem a noite! - sorriu um sorriso amarelo.
Adultos... Além de sozinhos, mentirosos... pensou a pequena antes de desaparecer na escuridão da outra.



Postado por: Renata Lôbo às 19h16
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Eu não quero ser vítima do mundo, o meu pequeno e egocêntrico mundo. Filha de Deus, de olhos negros de dor e secos de fome de amor.
Quero morrer sorrindo. andando pelos meus próprios passos. Quero tudo o que posso ter sem me preocupar se é arriscado, doloroso ou difícil.
Quero a morfina da madrugada onde meu espírito não se lamente pela solidão. E o grito iminente, quero é largá-lo. Aos berros, quero gritar as minhas dores que nessa temporada quase me matam. Quase! E no quase ainda estou viva. De roupas negras num luto que não passa. Que ainda haja fôlego para mais essa longa caminhada. O tempo anda de brincadeira comigo, cara de palhaça. E no fim, nada disso vai importar. Porque sentimentos morrem de parada cardíaca, desaparecendo na minha própria escuridão. Vou me esquecer dos meus deuses que passaram despercebidos, sem me guiarem para aquele meu destino. E agora estou me esquecendo de algo. Algo que era belo e me fez sorrir, meu sorriso sem dor...

Não! gritei-me de súbito, acordando a mim mesma com minha voz rouca. Recuso-me a ser novamente a vítima indignada e magoada. Que minhas dores, que são minhas e somente minhas, que minhas dores me abram ao meio me rasgando do peito essas lembranças ruins. Mas estou tão cansada desses meus eus, que não se calam e se açoitam e choram feito bebê grande, apenas pra não morrerem dessa morte lenta. Mas ainda há borboletas no meu jardim. de asas vermelhas, me rondando como se fosse flor carente. Sozinha nesse jardim imenso...



Postado por: Renata Lôbo às 15h35
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Os olhos enrugados da velha lhe observavam de cima à baixo. Pegou com uns dedos velhos o cigarro de palha que guardara desde cedo, acendendo distraidamente enquanto eperava que a garota começasse a falar. Mas esta ainda parecia perdida em seus pensamentos. Soltando a fumaça fedida desejou que terminassem logo, pois mesmo na velhice havia pressa em descansar.
_ Então, o que espera de mim? - dissera perdendo de vez o pouco da paciência que a velhice lhe trouxera. A menina mexendo delicadamente em seus longos cabelos dourados, respirou fundo tentando encontrar coragem.
_ Espero que possa me dizer o que sabe. - dissera simplesmente.
_ A idade me ensinou muitas coisas menina. Desculpa, mas terá que ser mais específica. - A menina levantou da cadeira andando de um lado para o outro ansiosa. Havia esperado tanto tempo por esse encontrou e agora não sabia como se expressar. Olhava para o chão, olhos vidrados. Buscando as palavras certas.
_ Há tantas coisas que quero saber... - sentou-se novamente fixando seus negros olhos nos olhos cansados da velha, e esta, observando a menina através de sua nuvem cinza de fumaça fedida, sorriu divertida com o nervosismo de sua convidada. Sem duvida lembrou-se de Sophia, ambas tinham o mesmo ímpeto e uma certa arrogância, a mesma postura de princesa mimada, mas a menina à sua frente tinha algo que Sophia jamais possuira. Não sabia especificar ao certo o que seria essa coisa que a tornavam tão diferentes. Retribuindo o olhar fixo à menina, a velha ficou realmente satisfeita em tê-la observado tanto tempo. Valeu à pena! pensou. E desejou poder viver muitos anos mais para assistir o desenrolar do destino da menina. Como será que tudo terminaria? Sentia a curiosidade despontar no peito. Ah, já vira tanto da vida, assistira também pacientemente a história de Sophia. E o que gostava mesmo era apenas assistir - embora tenha interferido em algumas coisas quando Sophia apareceu à sua porta muitos anos antes - mesmo assim, não lhe interessava estar na frente das cortinas, mas no meio da platéia.
Dando uma leve batida no toco do cigarro, as cinzas caíram mortas no cinzeiro de vidro, mas mantera os olhos vidrados aos da menina para que esta começasse logo a falar.
_ Sabe que estive a sua procura. Soube que me conhece de longa data, embora seja a primeira vez que te veja. Como isso é possível?
_ Tem razão. Há muito tempo venho te acompanhando. Eu diria mesmo que te conheço como a palma da minha mão! - Olhara a palma da mão como se ali visse algo misterioso e inexplicável - Oh, não se assuste menina, há mais coisas nesse mundo do que imagina. E se te interessa saber, eu não sou a única que te observa. - a menina olhou assustada à sua volta, como se tivesse medo de que de repente encontrasse olhos ao seu redor. A velha riu-se. Foi a mesma reação de Sophia anos atrás. - Não se preocupe, por aqui não encontrará olhos à sua procura, mas posso te garantir que estarão lá fora à sua espera. - Então a velha, guardando o sorriso tornou-se novamente séria e em seu rosto as marcas do tempo pareceram mais severas ainda. - Sophia deveria ter te mostrado todas as armadilhas que te aguardavam. É pena que ela não teve tempo. Mas você já sabia que eu conhecia a sua mãe certo?
_ Eu soube. A senhora dos gatos que me disse para te procurar, disse também que você ajudou minha mãe.
_ É. - dissera nostalgica - Isso foi há tanto tempo. Foi uma grande mulher! É por isso que tenho te observado. - Apoiando com os cotovelos na mesa, aproximou o rosto enrugado ao da menina, uma mexa de seu cabelo branco caíra em seu ombro o que ela afastou com um movimento delicado, dissera quase em um sussurro, como quem confia um segredo: 
_ Eu estive à sua espera! - depois afastara-se sorrindo um pouco maliciosa.

 



Postado por: Renata Lôbo às 07h50
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Ela jurou naquela Terra batida - de lágrimas ainda moles, descendo pelo queixo - ela jurou naquele instante que não mais amaria, que não mais desejaria amor, mas que entregaria seu 1/3 de alma àquele que fosse verdadeiramente forte para suportar e enfrentar seus medos. Àquele que tivesse a força de um semi-deus, nesse instante talvez quebrasse sua promessa e entregaria mesmo seu coração. Supondo-se que dele ainda restaria qualquer pedaço em qualquer parte. E com os olhos secos, desejou apenas que não demorasse demais, pois mesmo para a dor há um limite de tempo e de lágrimas secas; aquelas que não escorrem pelo rosto febril.

(Renata Lôbo)



Postado por: Renata Lôbo às 09h18
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E mesmo sorrindo seus olhos eram tristes. Quem era ela? Quem? e a pergunta não se calava. Queria saber tudo que pudesse, seus hábitos, seus passatempos, seus medos, o que lhe fazia sorrir, o que nela morria todos os dias, e o que a fazia acordar sempre com aquele largo sorriso desenhado nos lábios.... Porque sempre que a olhava tinha vontade de carregar o mundo nas costas, como adolescente carregando os livros da menina bonita, queria carregar aquele mundo nas costas para que ela pudesse sentir a brisa na manhã de primavera, sem lágrimas presas dentro dos olhos.
Se seus olhos não fossem tão triste, pensou, o que nela teria amado? Talvez no final amasse nela a dor que ele próprio não podia sentir. Olhou com pesar o céu inopinadamente triste. Ah, que mundo mais injusto! A beleza dela deveria ser doída, se não fosse assim, seria apenas uma mesmice aborrecida.


"Minhas mãos estão tão frias nessa noite, já não se aquecem.
Tem qualquer coisa muito pesada dentro de mim hoje...
Uma casca vazia que nem o vento leva...
E agora? Quem vai me curar dessa minha ressaca de mim?"



Postado por: Renata Lôbo às 22h04
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.:: Decifra-me... ::.

Eu não posso ser compreendida por palavras e nem por olhares, minha alma não fala, ela sente...
"...e havia também algo em seus olhos pintados que dizia com melancolia: decifra-me, meu amor, ou serei obrigada a devorar..."
(Clarice Lispector)



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